sexta-feira, 18 de julho de 2014

Empresas e GDF entram em acordo e rodoviários decidem terminar greve


Companhias dizem que pagarão reajuste de 20% nesta sexta-feira (18).
Trabalhadores voltam ao serviço durante a madrugada, afirma sindicato.

Do G1 DF

As empresas de ônibus Marechal, São José e Pioneira entraram em acordo com o GDF e decidiram que vão pagar o reajuste de 20% aos rodoviários para pôr fim à greve da categoria.

Segundo o Sindicato dos Rodoviários do DF, os trabalhadores devem voltar ao serviço às 4h desta sexta-feira (18).

De acordo com as empresas, o pagamento dos 20% de reajuste será pago ao longo do dia. A decisão foi tomada após reunião no Palácio do Buriti.

Segundo o sindicato, o GDF vai se reunir com o departamento jurídico da organização até o dia 25 deste mês para redigir o texto do acordo coletivo, que prevê ainda reajuste de 20% no tíquete-alimentação e 40% na cesta básica.
A paralisação teve início na última terça-feira (15), data em que o reajuste deveria ter sido pago, segundo o sindicato. A organização informou que o aumento beneficia 11 mil trabalhadores.

A greve afetou regiões como Ceilândia, Samambaia, Recanto das Emas, Gama, Santa Maria, São Sebastião e Paranoá. Ao todo, 320 mil pessoas ficaram sem transporte, segundo o DFTrans.
As empresas em greve são responsáveis por três das cinco bacias do sistema de transporte coletivo. A falta de ônibus atinge 15 das 30 regiões do DF, e há 1,6 mil coletivos a menos rodando na cidade. As cooperativas Riacho Grande e a Cootarde, que também foram afetadas pela greve, fizeram o repasse nesta quarta (16).
Volta para casa
Nesta quinta-feira, a volta para casa teve trânsito lento, empurra-empurra para entrar em ônibus piratas na Rodoviária do Plano Piloto e filas na estação Central do metrô. Em Ceilândia, as paradas de ônibus estavam cheias de passageiros por volta das 19h. Algumas pessoas esperavam pela condução na própria pista. Houve quem recorresse a micro-ônibus e a veículos piratas.
Como muitos passageiros preferiram ir para o trabalho de carro, as principais vias da área central de Brasília estavam com congestionamento desde o fim da tarde.
Audiência de conciliação
Nesta quinta-feira (17), o desembargador André Damasceno, do Tribunal Regional do Trabalho (TRT), negou liminar requerida pelas empresas pedindo que fosse determinada a imediata suspensão da greve. Para as empresas, a paralisação foi ilegal. Em sua decisão, Damasceno argumentou para negar a liminar que a greve não é geral e que foi motivada pelo não pagamento de salários.
Uma audiência de conciliação entre representantes do Sindicato dos Rodoviários e das empresas de ônibus Pioneira, Marechal e São José chegou a ser agendada para esta sexta.

Outra paralisação
No último dia 4 de julho, funcionários da Viação Piracicabana, responsável por uma das cinco bacias do transporte público no DF, também cruzaram os braços para protestar contra a falta de pagamento do reajuste salarial de 20%. Com isso, 417 ônibus pararam de atender moradores de Sobradinho, Cruzeiro, Sudoeste, Planaltina e Asa Sul. A empresa atende 201 mil pessoas por dia.
O pagamento aos funcionários é feito sempre nos dias 5 de cada mês, mas, de acordo com o Sindicato dos Rodoviários, o de julho havia sido antecipado. “A categoria acreditou que receberia com reajuste, como combinado, mas isso não aconteceu. Enquanto não resolverem, não voltamos a rodar”, disse o diretor de imprensa da organização, João Jesus de Oliveira.
No mesmo dia, motoristas e cobradores da Pioneira, que atende passageiros da bacia 2, cruzaram os braços. O lote é composto pelas regiões do Gama, Paranoá, Santa Maria, São Sebastião, Candangolândia, Lago Sul, Jardim Botânico, e parte do Park Way.
Bacias de transporte público
O sistema de transporte público do DF foi dividido em cinco bacias. A primeira delas é de responsabilidade da Viação Piracicabana e atende o Plano Piloto, Sobradinho, Planaltina, Cruzeiro, Sobradinho II, Lago Norte, Sudoeste/Octogonal, Varjão e Fercal.
A bacia 2 conta com 640 ônibus e atende Gama, Paranoá, Santa Maria, São Sebastião, Candangolândia, Lago Sul, Jardim Botânico, Itapoã e parte do Park Way. A bacia 3 tem uma frota de 483 ônibus e atende Núcleo Bandeirante, Samambaia, Recanto das Emas, Riacho Fundo I e Riacho Fundo II.
A  bacia 4 conta com 464 veículos, que atendem parte de Taguatinga, Ceilândia, Guará, Águas Claras e parte do Park Way. A bacia 5 é responsável por Brazlândia, Ceilândia, SIA, SCIA, Vicente Pires e parte de Taguatinga e terá 576 coletivos.

quinta-feira, 17 de julho de 2014

Reunião no TRT nesta sexta tenta pôr fim à greve dos rodoviários do DF


Juiz negou liminar a empresas, que queriam suspensão imediata da greve.
Categoria parou na terça por pagamento de reajuste salarial e de benefícios.

Do G1 DF

O Tribunal Regional do Trabalho (TRT) marcou uma audiência de conciliação entre representantes do Sindicato dos Rodoviários e das empresas de ônibus Pioneira, Marechal e São José para as 17h30 desta sexta-feira (18) para tentar pôr fim à greve da categoria.
 Nesta quinta-feira (17), o juiz André Damasceno negou liminar requerida pelas empresas pedindo que fosse determinada a imediata suspensão da greve. Para as empresas, a paralisação é ilegal. Em sua decisão, Damasceno argumentou para negar a liminar que a greve não é geral e que foi motivada pelo não pagamento de salários.
Motoristas e cobradores iniciaram uma greve na terça-feira para cobrar o pagamento do reajuste salarial de 20% acordado em junho. Segundo o Sindicato dos Rodoviários, o reajuste deveria beneficiar cerca de 11 mil trabalhadores, que  teriam aumento de 20% no salário, 20% no tíquete-alimentação e 40% na cesta básica.
As empresas em greve são responsáveis por três das cinco bacias do sistema de transporte coletivo e atendem diariamente 320 mil pessoas. A falta de ônibus atinge 15 das 30 regiões administrativas, e há 1,6 mil coletivos a menos rodando na cidade. As cooperativas Riacho Grande e a Cootarde, que também foram afetadas pela greve, fizeram o repasse ainda na quarta.
GNews - Greve de ônibus no DF (Foto: globonews)GNews - Greve de ônibus no DF (Foto: globonews)
A assessoria das empresas disse que havia um acordo inicial de que o valor a mais só seria pago 24 horas após a homologação da tarifa técnica - subsídio passado pelo governo para custear passagens - o que não ocorreu.
O secretário de Transportes, José Valter Wazquez, criticou a postura de empresários e rodoviários e afirmou ter esta quinta como data-limite para encerrar a greve. Ele discute com empresários do setor uma solução para a greve em reunião que teve início às 9h e que não havia sido concluída até as 13h. Ao G1, o secretário não descartou a possibilidade de o GDF recorrer à Justiça caso não haja um acordo para pôr fim à greve.

GDF negocia, mas não descarta ir à Justiça contra greve no transporte

GDF e empresas discutem reajuste da tarifa técnica e jornada de trabalho.
Três viações estão paradas nesta quinta-feira; greve afeta 320 mil pessoas.


Do G1 DF
O secretário de Transportes do DF, José Valter Wazquez (Foto: Raquel Morais/G1)O secretário de Transportes do DF, José Valter Wazquez,
em entrevista sobre a greve dos rodoviários
(Foto: Raquel Morais/G1)
O secretário de Transportes do Distrito Federal, José Valter Wazquez, criticou a postura de empresários e rodoviários e afirmou ter esta quinta-feira (17) como data-limite para encerrar a greve, que deixou 320 mil pessoas sem ônibus nos dois últimos dias. Ele discute com empresários do setor uma solução para a greve em reunião que teve início da manhã e que não havia sido concluída até as 12h. Ao G1, o secretário não descartou a possibilidade de o GDF recorrer à Justiça caso não haja um acordo para pôr fim à greve.
Os motoristas e cobradores pararam duas vezes durante a Copa do Mundo e iniciaram uma greve na terça para cobrar o pagamento do reajuste salarial de 20% acordado em junho. Os patrões querem do GDF definições em relação ao reajuste da tarifa técnica – subsídio passado pelo governo para custear passagens –, combate à pirataria e jornada de trabalho para então pagar o reajuste.

“A tendência é de que ela [tarifa técnica] tenha um reajuste, sim. Isso varia de empresa para empresa. Esse aumento deve ocorrer quando terminarmos os cálculos. Essa discussão entra na pauta de hoje", explicou o secretário ao G1. "Temos 60 dias para elaborar a proposta e então receber a avaliação deles. As datas de início do estudo variam de uma para outra, mas o importante é que estamos tentando agilizar e ter isso o quanto antes
Os representantes da Marechal, São José e Pioneira também querem que os motoristas cumpram 36 horas semanais, em vez de seis horas por dia – isso evita, por exemplo, que os que fazem linhas longas e levam três horas e meia para ir e voltar de um ponto fiquem impedidos de fazer a segunda viagem.O impasse entre rodoviários e empresários se dá por conta do prazo para pagamento do reajuste, disse Vazquez. "O problema de não se ter isso por escrito, assinado, é que cada um entende de um jeito. Os empresários interpretaram que esse repasse aconteceria depois [da homologação da tarifa técnica], enquanto os funcionários querem logo. Cada parte desse triângulo está medindo força, isso é inegável. O governo está tentando evitar que essas forças prejudiquem o usuário. Esse é o único papel do governo.", disse.
Os empresários também pedem ações para evitar o transporte pirata, que afirmam ser responsável por perdas nos lucros.

"Acho que demanda tempo e um pouco de boa vontade das duas partes em chegar a um acordo. Em alguns momentos o governo tem o papel de aguardar que as partes cheguem a um acordo. Esse aguardar não pode ser muito longo. O empresário precisa entender que, quando você faz um contrato de dez anos, você ganha dinheiro nos dez anos e não logo tudo no primeiro. E o rodoviário tem que se ver como o prestador de um essencial, que não pode ser objeto de barganha" declarou.
Justiça
O secretário disse que, caso o impasse prossiga e os rodoviários decidam estender a paralisação, o GDF vai "usar outros instrumentos" para tentar encerrar a paralisação. Ele não revelou que medidas o governo vai adotar, mas não descartou a possibilidade de levar o caso à Justiça.